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Vivência educacional na Índia impacta grupo do VII Trocando em Miúdos

04/02/15 09:00 - Notícias

4 de fevereiro de 2015
Grupo de 14 profissionais que vivenciaram a educação e a cultura da Índia

Grupo de 14 profissionais que vivenciaram a educação e a cultura da Índia

Na busca por reciclar seus conhecimentos educacionais para aplicar em sua instituição de educação infantil na capital paulista, a pedagoga Edna Marchini já realizou viagens à Finlândia, Rússia e Croácia. Mas foi no mês de novembro de 2014, por meio do VII Trocando em Miúdos – Intercâmbio Internacional Brazil’s EduRetreat, realizado pela Avante – Educação e Mobilização Social, que ela teve a sua grande experiência pedagógica. “Atingiu meu interior”, disse, resumindo a satisfação de ter participado do grupo formado por 14 profissionais brasileiros de diversas áreas que estiveram na Índia por 15 dias.

Para Edna Marchini, os dias na Índia foram mais do que uma pesquisa sobre educação. “Nas outras viagens que fiz o contato com a realidade da educação e da cultura foi mais superficial. Na Índia, tivemos uma imersão maior, uma vivência mesmo. Pude sentir as crianças como nunca antes em um país estrangeiro”, explicou, sem esconder a emoção ao relembrar da experiência.

A mestre em Filosofia da Educação, Ligia Pacheco, assim como Edna, já esteve em muitos outros países em busca de projetos educacionais transformadores e voltados à educação de qualidade, e não esconde seu encanto com o que vivenciou na Índia, o que é relatado em seu blog FILHOsofar: Educação para todos.  “Realmente não dá para voltar igual ou indiferente de lá”, afirma.

Mesmo não tendo a pedagogia como o primeiro interesse profissional, a magistrada recifense, Ana Maria Silva, voltou entusiasmada da viagem. “Gosto muito de educação e acredito poder usar esse conhecimento adquirido, de maneira tão prazerosa, em meu trabalho”. Ela relata ainda que seu aprendizado começou no contato com os companheiros de viagem. “São pessoas muito envolvidas e interessadas em aprender novas políticas de educação”.

Os 14 profissionais tiveram o apoio de uma equipe especializa durante todo o trajeto. Como guias, o grupo contou com Vashima Goyal, idealizadora do projeto EduRetreat, e Ana Luiza Buratto, sócia fundadora da Avante. A tradução e a formação do grupo ficaram por conta de outras duas consultoras associadas da Avante, Ana Marcilio e Monica Samia, respectivamente.

Assim, o grupo visitou e conheceu experiências nas cidades de Mumbai, Bangalore, Pune e Ahmedabad. Em meio a uma intensa troca de informação entre si e com os indianos, o grupo esteve em universidades, projetos educacionais, escolas, templos, favelas, museus, monumentos, ashrams (centros de retiro espiritual), entre outros locais ricos em educação e cultura.

Ponto Alto

Para a pedagoga Edna Marchini, o ponto alto de sua busca por novos conhecimentos foi a visita a Srishti School of Art, Design & Technology, uma escola particular de nível superior, em Bangalore, que tem uma grande inserção em favelas da cidade. “Acho que falta isso no Brasil; iniciativas privadas de educação com uma visão social. Passamos o dia na favela, os jovens mostraram seus projetos realizados em parceria com a universidade e aqueles que se destacam acabam fazendo parte do corpo discente da instituição”, conta.

Já a professora da rede pública de Recife, Ana Lúcia Guimarães, destaca a visita ao Center of Learning, uma pequena escola para crianças e adolescentes entre oito e dezenove anos na área rural da Índia. “É como uma aldeia arrodeada de muita área verde. Não usam cadeiras e são duas professoras por turma. Elas incentivam as crianças a pensar, a questionar. Chama atenção também o comportamento das crianças, muito disciplinadas; a satisfação das professoras e o carinho que estas demonstram no trato com as crianças”, relatou.

Para a magistrada Ana Maria Silva foi a Riverside School, em Ahmedabad, que mais impressionou. “É um complexo de coisas boas. A democracia está inserida na educação das crianças. São elas que fazem a gestão de todos os conflitos, o que nunca vi antes. A escola leva o lema “You Can” às últimas consequências. Forma verdadeiros diplomatas mirins”, conta.

Avante, por uma formação cidadã

O Trocando em Miúdos é parte das ações formativas realizadas pela Avante. As viagens de intercâmbio são vistas pela instituição como uma potente estratégia de aprendizagem, o que é confirmado por todos os participantes. “É muito difícil encontrar algo assim tão especial. É um programa importantíssimo e conta com uma equipe eficiente e eficaz. Mesmo não sendo educadora, eu estarei em muitas outras viagens”, anunciou a magistrada Ana Maria Silva.

“Conversávamos muito depois de cada visita. É muito legal saber que muitos brasileiros estão empreendendo ações interessantes em nosso país. Pena que de maneira isolada. Por isso, acho a iniciativa da Avante, com o Trocando em Miúdos, de uma grande importância, pois essa gente precisa se reunir. E espero que o país saiba unir essas iniciativas dentro de um amplo plano de Educação Infantil”, concluiu a pedagoga Edna Marchini.

Ana Luiza Buratto, consultora associada da instituição, acredita que essa preocupação em proporcionar trocas de experiência pessoais, além do conhecimento adquirido nos países visitados, garante o sucesso do programa. “Além de muito aprendizado, os integrantes levam consigo laços fortalecidos, o que faz parte da metodologia da Avante na organização dos Trocando em Miúdos”, explica. Ela aproveita para informar que a oitava edição do programa já está sendo organizada. As informações estarão em breve no site da Avante.