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Uma semana formando as novas Vozes da Cidade

02/09/15 14:47 - Notícias

2 de setembro de 2015
Uma semana formando as novas Vozes da Cidade_rev

Jovens se abraçam formando um círculo durante formação do projeto Vozes da Cidade

Durante uma semana, entre os dias 6 e 10 de julho, 30 adolescentes participaram de uma formação para ingressar na equipe do Vozes da Cidade. Foram cinco dias de muito aprendizado, fortalecimento de laços, debates e dinâmicas com temas como cidadania, participação política, atitude ambiental responsável, entre outros. O resultado foi um grupo de adolescentes com entusiasmo renovado, fortalecidos nos seus interesses e possibilidades de participar mais dos assuntos da cidade e sobre como diminuir as desigualdades intraurbanas que afetam suas vidas.  “Fez abrir muito mais minha mente sobre nossos direitos, sobre as políticas públicas que nós adolescentes temos o direito de construir”, disse Bruna Suelen Gonçalves da Silva, 14 anos.

Bruna mora no Uruguai, na Cidade Baixa, é estudante do Colégio Estadual Paulo Américo de Oliveira, que fica “entre o Bomfim e o Caminho de Areia”, participa de três coletivos de atuação política direcionada ao reconhecimento dos direitos dos adolescentes; Rede Reprotai, Protagonistas em Ação e Evolução MC’s. Pela sua avaliação, toda formação foi muito proveitosa.

A estudante mostrou-se surpresa com a variedade de conhecimento que adquiriu, a exemplo das atitudes ambientalmente corretas, ensinadas durante os dois dias da formação pela equipe da Coelba, parceiro institucional do projeto. “A consciência de que quanto menos desperdiçamos, mais preservamos o meio ambiente, poder auxiliar minha família a economizar energia, e dinheiro, entre outros, são aprendizados que posso também passar às outras pessoas”, acrescentou

A Coelba desenvolveu a formação durante os segundo e o terceiro dias por meio de vídeos, slides, e brincadeiras para trabalhar o tema “atitude ambiental responsável”. No primeiro dia, a formação ficou a cargo dos analistas de eficácia energética, Virginia Forte e Marcelo Nunes. No segundo dia, os trabalhos foram dirigidos pelas pedagogas Silvana Costal e Cristina Campelo, e pelo agente educativo, Luiz Uldurico Gentili, ambos da Associação Voluntária para Serviços Internacionais (AVSI), instituição parceira da Coelba.

Temas Sociopolíticos

No quarto dia, o coordenador do projeto, José Humberto Silva, mobilizou os adolescentes em torno dos problemas sociais da cidade de Salvador. “O debate caracterizado pelo envolvimento intenso dos adolescentes, os levou, inclusive, a propor soluções para a cidade, em um exercício de participação cidadã, cujo aprendizado eles vão levar a campo, nos seus bairros, dentro da sua participação no projeto”, ressaltou.

Luis Henrique de Jesus, 17 anos, estudante do Colégio Anísio Teixeira, na Caixa d’agua, e morador da Liberdade, concorda com o coordenador do projeto. “O que aprendi aqui, somado com o que venho aprendendo na vida, me deixa mais preparado para ser mais uma das vozes da cidade a falar pela minha comunidade, meu bairro, minha cidade”.

Ele aponta um dos aspectos que tornaram, na sua opinião, a formação ainda mais proveitosa e empolgante. “Não aprendíamos somente dos formadores, foi um espaço para a criatividade, onde ganhamos novos laços de amizades e aprendemos muito com cada um dos que compunham nosso grupo em formação. Aprendemos muita coisa relacionada ao trabalho em prol de uma sociedade mais justa”, acrescentou.

No quinto dia, orientados pelo educador Elder Costa Mahin, os adolescentes aprofundaram seus conhecimentos sobre participação política e sobre espaços de controle social da política de segurança pública. Militante do movimento negro, Mahim versou sobre o tema aos quais os adolescentes se identificaram rapidamente, principalmente por serem, em sua maioria, negros e moradores de comunidades carentes. O debate gerado os instigou ainda mais a se fazerem ouvidos e ajudar a dar voz a mais e mais adolescentes que buscam por seus direitos e pela diminuição das desigualdades sociais na cidade de Salvador.

Elder Costa Mahin, ao final da formação, se mostrou contente com a vontade de mudança trazida pelos adolescentes atuantes no Vozes da Cidade. “Um grupo que demonstra ter experiência de atuação comunitária, com ponto de vista crítico em relação à sua realidade. Um grupo que dá uma ideia clara do que há de melhor atuando nas comunidades atualmente. Eles têm um perfil adequado para desenvolver um trabalho de multiplicação”, arrematou.

Outro ponto do Vozes da Cidade que anima o educador é a mobilização para por em prática a participação cidadã dos adolescentes na construção de políticas que impactam suas vidas. “É fundamental trazê-los para processos de mobilização e controle social, de participação nas políticas públicas, pois elas não podem ser para os adolescentes e para os jovens, elas têm de ser com os adolescentes e com os jovens”, concluiu.

O coordenador do projeto, José Humberto Silva, ressaltou que a semana de formação é apenas o primeiro passo de um processo continuado que segue durante cinco meses com os adolescentes participando de mobilizações, formações e escutas de seus pares, sempre supervisionados por coordenadores de área.

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