Notícias

Seminário fortalece diálogo sobre qualidade na Educação Infantil

19/12/17 13:34 - Notícias

19 de dezembro de 2017

Metodologia inovadora do Paralapracá faz um resgate do brincar e muda a Educação Infantil no Nordeste

“Brincar é o último reduto de espontaneidade que a humanidade tem”. A frase da educadora e musicóloga brasileira Lydia Hortélio reforça a metodologia do programa Paralapracá, que foi simbolicamente transferida do Instituto C&A para os municípios que participaram do Programa e para a Avante – Educação e Mobilização Social durante o seminário Diálogos sobre a qualidade na educação infantil: a experiência Paralapracá, que ocorreu no dia 30 novembro em Salvador (BA).

Desde 2010, a Avante é responsável por implementar o Paralapracá em dez municípios da região Nordeste do Brasil e contou com o apoio técnico do Instituto C&A nessa missão. Durante o período, o Programa capacitou 550 coordenadores pedagógicos e impactou cerca de 2,5 mil professores e mais de 40 mil crianças. Em 2015, a metodologia foi consagrada pelo Guia de Tecnologias Educacionais do Ministério da Educação (MEC), podendo ser aplicada em todo o território nacional. “Temos a difícil e importante missão de migrar da agenda da Educação para apoiar projetos que atuam na transformação da indústria da moda. Nossa pergunta foi: como usar os 26 anos de experiência do Instituto C&A para fortalecer essa causa? E a resposta que encontramos foi trabalhar com os parceiros, transmitindo o nosso legado e fortalecendo a causa da Educação na primeira infância”, explicou a diretora-executiva do Instituto C&A, Giuliana Ortega.

O Paralapracá faz um movimento ousado ao trazer a criança para o centro das discussões sobre Educação Infantil e colocá-la como parte importante a ser ouvida na construção do plano pedagógico escolar. “O Programa parte do princípio de que toda criança tem direito a uma escola equitativa, plural e acolhedora. Atuamos com práticas pedagógicas que privilegiam o protagonismo das crianças e sua aprendizagem a partir da diversidade de experiências ligadas ao brincar”, explica Maria Thereza Marcilio, presidente e fundadora da Avante.

Durante o evento, vários relatos de secretários de Educação, coordenadores pedagógicos e professores comprovaram o sucesso da metodologia. “Para realizar o nosso planejamento pedagógico, esperamos as crianças chegarem à escola e perguntamos como elas gostariam que fosse o espaço. A partir das respostas, reestruturamos a nossa rotina e reformulamos o refeitório para elas terem mais autonomia nas refeições. Hoje, a criança é o centro do nosso fazer educativo. Encerro minha fala com a frase de um dos alunos da escola, o Pedro, de 8 anos: ‘Se os adultos fossem inteligentes como as crianças, o mundo seria mais feliz’”, conta Edna Almeida Matos, coordenadora pedagógica da Escola Comunitária Brincar e Criar, de Camaçari (BA), que atende a 170 crianças.

Inspirados pelo Paralapracá, surge o projeto de uma rede Nordeste de Educação Infantil, que já tem data marcada para o próximo encontro. Em março do próximo ano, quatro dos cinco municípios que participaram da segunda fase do projeto irão se encontrar em Maceió (AL) para planejar os próximos passos do programa.

Participação infantil e educação de qualidade

A especialista em educação, arte e contação de histórias, Stela Barbieri, abriu a primeira roda de conversas do seminário e foi seguida por Ana Marcílio, consultora associada da Avante, que falou sobre escuta e direito à participação das crianças. A roda foi encerrada com duas experiências dos municípios de Camaçari (BA) e Maracanaú (CE).

Políticas da Educação Infantil

Ana Luiza Buratto, vice-presidente da Avante, também apresentou no evento o processo de elaboração dos cinco memoriais de gestão da Educação Infantil, que foram feitos pelos municípios que participaram do segundo ciclo do Paralapracá, e deixaram o histórico para a nova gestão municipal. “Esse documento reflete a experiência que a equipe anterior adquiriu. É um histórico de transição importante, em lugares onde, muitas vezes, não se encontrava nem a lista das escolas”, disse Buratto.

Janine Schultz, coordenadora de Educação do Instituto C&A, reforçou que “os princípios do projeto estão nos memoriais e eles têm que continuar vivos”. Ela falou sobre a importância da rede que foi construída. “Os municípios são os protagonistas dessa rede, e é necessário buscar soluções conjuntas”. A roda contou com a presença das secretárias de Educação Justina Iva, de Natal (RN), e Ana Dayse Dórea, de Maceió (AL).

Perspectivas inovadoras em formação presencial e a distância

Encerrando a agenda, a última roda de conversa do seminário contou com a presença da especialista Paula Carolei, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que levou a vivência lúdica para o universo virtual. Em um jogo criado por ela, foram apresentadas algumas possibilidades do Ensino a Distância (EAD).

Mônica Sâmia, consultora associada da Avante e coordenadora de implementação do Paralapracá, abordou os resultados conquistados pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) do Paralapracá e convidou os municípios de Maceió (AL) e Olinda (PE) para contarem suas experiências. “Depois do AVA, eu me sinto empoderada, alicerçada e segura para chegar para meu professor e dizer: ‘Vamos trabalhar diferente?’”, disse Tereza Cristina, do CMEI Tancredo Neves.

O Programa

O Paralapracá é uma frente de formação de profissionais da Educação Infantil realizado pela Avante – Educação e Mobilização Social, em parceria com as secretarias municipais de Educação e apoio do Instituto C&A, que visa contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento às crianças na Educação Infantil, com vistas ao seu desenvolvimento integral. Para isso, oferece formação continuada para formadores das Redes Municipais de Educação, valorizando os saberes de cada localidade e ampliando as referências teórico-práticas a partir das orientações nacionais para o segmento.

O Paralapracá foi lançado em 2010 como um projeto do programa Educação Infantil do Instituto C&A, originalmente focado na região Nordeste. Desde então, chegou a dez municípios, em dois ciclos de implementação. Em 2015, com a chancela do Guia de Tecnologias Educacionais do MEC, ganhou caráter nacional.