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Roda Gigante gira no Solar Boa Vista

29/10/12 14:44 - Notícias

29 de outubro de 2012

Integrado ao cenário arborizado da área externa do Solar Boa Vista, o Movimento Roda Gigante movimentou a publico infantil da vizinhança, no último sábado, 27, com suas fábricas de brincadeira: uma de telefones de lata e outra de helicópteros de papel. As brincadeiras foram embaladas pela música do Ambulante Original – um carrinho de vender café com um systema de som tipicamente jamaicano, adaptado para a realidade soteropolitana. Os DJs Dudoo Caribe e Ed Braz, e o percussionista, Germano Estácio tocaram músicas infantis transformadas em reggae e dub*. “Poderia haver algum ‘invento’ desse tipo todo dia por aqui, assim minha neta ficaria menos presa em casa”, disse Maria Isabela Brandão, moradora de uma comunidade vizinha conhecida como Vila Paraíso, que levou a neta de 4 anos, Kauani Mota.

E Kauani aproveitou. Antes de participar das fábricas de brincadeiras, ela jogou boliche de lata (derrubar a pilha de latinhas com uma bola), montou quebra-cabeças e desenhou muito. “Isso aqui é uma árvore e isso é uma flor”, descreveu a sua pintura que foi exposta no barbante junto às bandeirolas do Roda Gigante que decoravam a ciranda. Já sua amiga Marina Dias Brasil, também de 4 anos, desenhou os pais. “É porque gosto muito deles”, explicou, antes de ir ver o que acontecia na fábrica de telefone de lata.

Instalada no Solar Boa Vista, pela turma da organização Telefone de Lata, a brincadeira de mesmo nome foi uma das grandes atrações da ciranda. Sua área era demarcada por um plástico de cor mostarda deitado sobre o chão de cimento e cheio de almofadas azuis. As peças: latas e barbantes. A mão de obra: meninos e meninas com pinceis e tinta guache. Ao final, muita lambança e meninos coloridos, mas os telefones foram construídos, usados e levados como recordação de um dia divertido.

Não satisfeito em pintar latas e papéis, a criançada coloriu também o já colorido Ambulante Original. ”Ficou massa!”, concluiu DJ Dudoo Caribe. “Há um tempo procurávamos fazer uma intervenção artística com crianças e está sendo uma experiência marcante”, disse olhando para o carro que as crianças pintaram.

A outra grande atração da ciranda infantil foi a fábrica de helicópteros de papel do mestre em brincadeiras, José Carlos Rego, o Pinduka. As crianças, sentadas às mesinhas cobertas de cartolinas recém-desenhadas, assistiram atentas às explicações de Pinduka de como fazer os helicópteros. Elas pegaram as tiras de papel, fizeram desenhos, abriram as hélices, amarraram a linha no fundo e saíram correndo. Uma esquadrilha de helicópteros voou pela área do Solar Boa Vista e os pilotos, e construtores, pareciam encantados. “Vou levar pra casa o meu e vou ficar olhando pra ele para poder saber fazer outros”, disse Eliel Santos Rosa, de 5 anos, antes de voltar a correr com o seu brinquedo voador.

E não foram somente crianças do Engenho Velho de Brotas que apareceram por lá, muitas vieram de outros bairros. Rafael, de 2 anos, por exemplo, mora na Avenida Bonocô. Sua mãe, Alessandra Ribeiro Cabral, soube da ação pela internet. “Faltam eventos como esse na cidade; ao ar livre, que não custe caro e que as crianças se divirtam de verdade num ambiente saudável. Adorei e Rafael também”, contou.

Além das brincadeira, a organização Telefone de Lata também levou um time de monitores que, com autorização dos pais, filmaram as crianças brincando para que as brincadeiras de um lugar chegue a outro através de vídeos. Alguns dos monitores são de uma aldeia indígena de Porto Seguro e outros de um terreiro de candomblé de Itabuna.

*Dub – O dub surgiu na Jamaica no final da década de 1960. Inicialmente era apenas uma forma de remix de músicas reggae, nos quais se retirava grande parte dos vocais e se valorizavam o baixo e a bateria. Muitas vezes também se incluía efeitos sonoros como tiros, sons de animais, sirenes de polícia, etc. Suas bases foram usadas posteriormente em todos os estilos de música eletrônica moderna, inclusive o Rap, que teve sua criação diretamente ligada ao Dub quando Jamaicanos migraram para os EUA e divulgaram a técnica.

Por: Carlos Vianna Junior