Notícias

Por Ser Menina no Brasil

30/09/14 08:47 - Notícias

30 de setembro de 2014

Por Ser Menina no BrasilSer mulher tem sido um desafio ao longo dos anos na história da humanidade? Sim. As mulheres têm enfrentado situações de violência, preconceito e desigualdade de direitos, fruto de uma cultura marcada por valores estritamente masculinos? Sim. Mas isto mudou, a realidade não é outra? Sim. Mas até que ponto? A pesquisa Por Ser Menina no Brasil: Crescendo entre Direitos e Violências traz à tona um contexto de desigualdades de gênero que permanece vivo nos dias de hoje e que prejudica o pleno desenvolvimento das habilidades das meninas para a vida.

“A pesquisa faz parte da nossa campanha global e quer ser uma ferramenta para impulsar políticas públicas e iniciativas sociais que tenham em conta as questões que afetam as meninas”, diz Flavio Debique, gerente técnico de Proteção Infantil e Incidência Política da Plan International Brasil, em e-mail enviado á Avante – Educação e Mobilização Social divulgando o resumo executivo da pesquisa.

Por Ser Menina no Brasil ouviu crianças entre 6 a 14 anos das cinco regiões do país, nos estados do Pará, Maranhão, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Capitais escolhidas pela representatividade em suas respectivas regiões, com potencial de indicar as tendências regionais. As entrevistas foram realizadas entre os meses de julho e setembro de 2013.

Na apresentação do resumo executivo a diretora nacional da Plan Brasil, Anette Trompeter, afirma o caráter inédito da pesquisa e que ela foi realizada para promover os direitos das meninas e “empoderá-las para que sejam os principais agentes transformadores das suas realidades”. Os dados foram levantados a partir do olhar de 1.771 garotas que contam gostar de ser meninas, que sonham com um futuro no qual “a educação, a saúde, o cumprimento dos direitos, a solidariedade e o respeito às diferenças possam ser realidades para todas as meninas e meninos”.

Mas elas também denunciam um contexto de gritantes desigualdades de gênero. Enquanto 76,8% lavam louça e 65,6% limpam a casa, apenas 12,5% dos seus irmãos homens lavam a louça e 11,4% limpam a casa. “Queremos trabalhar para não ouvirmos mais, como ouvimos nesta pesquisa, que 1 menina em cada 5 conhece uma outra menina que já sofreu violência. E que 13,7% das meninas de 6 a 14 anos trabalham ou já trabalharam”, diz a diretora da Plan Brasil no texto introdutório do resumo.

Foram ouvidas meninas quilombolas e fora da escola. 51,9% do total têm entre 11 e 14 anos e 47,6% entre 06 e 10 anos. A cor da pele foi considerada de acordo com critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – 39,1% das meninas têm cor da pele branca, 6,2% preta, 1,2% amarela, 53,2% parda (morena) e 0,3% indígena. O maior contingente de participantes foi de meninas que estudam em escolas da zona urbana (76,5%), enquanto a zona rural foi representada por 23,5%.

 

Para baixar versão completa para ISSUU