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Instituições da Rede Municipal de SSA compartilham transformações por uma Educação pública de qualidade

09/08/19 10:19 - Notícias

9 de agosto de 2019

Intensidade, emoção à flor da pele, sensação de dever cumprido e a certeza de todo o trabalho que ainda há pela frente, agora com um norte mais bem definido. Esse foi o clima que predominou nos quatro turnos do III Seminário Nossa Rede Educação Infantil: compartilhando experiência, realizado nos dias 30 e 31 de julho, como encerramento do projeto de Formação de Formadores, realizado pela Avante em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Salvador (SMED), pelo Programa Nossa Rede Educação Infantil. Os encontros coletivos com a equipe Avante, os seminários com especialistas e as formações in loco – no chão da escola, contemplaram 786 gestores e coordenadores pedagógicos, de 393 instituições da Rede Municipal de Educação de Salvador.

O processo formativo, que durou ao todo sete meses, tomou como base a temática: Relações, espaços e tempos de qualidade na Educação Infantil. Das 21 instituições que realizaram formações in loco: no chão da escola, 16 compartilharam suas experiências de transformação, que promoveram mais autonomia e participação para as crianças, organização do ambiente e empoderamento dos materiais do Nossa Rede Educação Infantil, todos alinhados com os principais referências teóricos da educação brasileira, inclusive a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

O III Seminário contou com a presença da professora convidada Zilma de Moraes, mestra em Educação e doutora em Psicologia, que mediou e teceu comentário sobre os relatos dos percursos formativos apresentados pelas instituições da Rede durante o evento. Na primeira oportunidade de fala, após a apresentação das experiências das quatro primeiras instituições no evento, Zilma abriu sua participação lembrando que “a criança funciona como um todo. Vocês não estão mexendo só no objeto/espaço, vocês estão mexendo em todo o enredo”, disse. Os diálogos com a especialista aconteceram em quatro rodas de conversa, após cada um dos quatro turnos do Seminário, formada por Zilma e representantes das instituições da Rede, em mais um rico momento formativo participativo.

Validação do novo

As formações in loco, assim como a participação das escolas conveniadas (comunitárias) nas formações foram uma novidade dessa etapa formativa. Nas Formações in loco, além dos gestores e coordenadores pedagógicos da instituição anfitriã e uma professora piloto, também participaram do processo coordenadores e gestores de outras instituições para ajudar a identificar um desafio e definir um Plano de Mudança. As transformações promovidas em cada uma delas foram apresentadas aos demais atores da Rede fortalecendo a confiança de que busca por um atendimento de melhor qualidade para as crianças de zero a seis anos na Rede soteropolitana.

“Abram suas portas para a Formação In Loco”, disse Gleide Santos, gestora do CMEI Uruguai, durante o Seminário. O CMEI transformou o ambiente da escola, enfrentou limites pedagógicos e passou por um aprofundamento sobre uso dos materiais do Nossa Rede Educação Infantil ao longo do processo. “Está tudo no nosso material, tudo lá. Às vezes a gente vai buscar em outros documentos e está tudo reunido no material do Nossa Rede”, disse a gestora.

Os presentes relataram o desejo de dar continuidade ao processo formativo e a satisfação na inclusão das conveniadas nas formações. “Esperamos que as formações continuem. Inclusive, ficamos bastante felizes quando soubemos que os encontros seriam estendidos para as escolas comunitárias [conveniadas], pois nós atendemos o mesmo perfil de crianças da rede pública”, disse Maria Raquel Gomes, gestora da Escola Conveniada Centro de Integração Familiar (CEIFAR).

Transformações

Qualificação do ambiente, com participação das crianças, foi a experiência compartilhada pela dupla gestora da Escola Municipal Casa da Amizade, durante o III Seminário Nossa Rede Educação Infantil: compartilhando experiências. Márcia de Fatima e Silvana Talento compartilharam, com uma plateia lotada, sua experiência de transformação numa escola que atende em sua maioria turmas do Ensino Fundamental I, tendo apenas duas turmas de Educação Infantil. E esse foi o primeiro desafio enfrentando pela instituição: refletir sobre as demandas dessas duas turmas, qualificar o ambiente contemplando autonomia e protagonismo das crianças.

Já as gestoras, Edna Santos Dias e Maria Acilina, da Escola Comunitária Lar dos Pequeninos, no Calabetão, relataram uma mudança no olhar sobre o brincar da criança, agora como promotor do desenvolvimento e aprendizagem. Espaços se transformaram e uma nova concepção da atuação das educadoras surgiu a partir das reflexões promovidas pelos diálogos e compartilhamentos durante os momentos formativos, que tomou como referência teórica os materiais do Programa Nossa Rede, e marcos legais da Educação do País. “É comum numa escola comunitária se ter um olhar do cuidado e não da Educação e isso precisava mudar em toda a comunidade, e deve começar pelas educadoras”, disse Edna Santos.

Uma experiência inspirando a outra, em cada detalhamento, um aprendizado. O CMEI Waldeck Ornelas, de Cajazeira, que atende a 215 crianças de 2 a 6 anos, por exemplo, reuniu sua equipe para uma retomada da concepção de infância, com o intuito de fazer um alinhamento com o novo currículo e inserir no cotidiano pedagógico os princípios que integram a BNCC, em especial os campos de experiência. Foi feito um mergulho nos materiais do Nossa Rede Educação Infantil e o primeiro passo, assim como em outras instituições, foi a escolha de uma professora piloto para uma reflexão da prática. O resultado foi passar para um planejamento focado na experiência e não mais no campo de experiência, além de uma instituição repensada e mais próxima de uma educação pública de qualidade, aspectos almejados por todos os atores ali presentes.

A escola comunitária Mãe Clara, que atende crianças da Pedra Furada, no Umaitá compartilhou o salto que deu do receio de abrir a escola, à coragem para refletir a prática coletivamente e (re) significar o cotidiano. Inspirada nas formações coletivas com as especialistas da Avante e convidados como: Leila Costa, formadora em Educação Infantil e mestra em educação; Karina Risek, ex – coordenadora geral de Educação Infantil do MEC; Adriana Klysis, consultora em educação e cultura; Ana Teresa Gavião, doutora em psicologia da educação; e Levindo Diniz, professor adjunto na UFMG. O CMEI Mãe Clara promoveu uma fundamentação teórica a partir dos materiais do Nossa Rede para sua equipe pedagógica, em especial do Referencial Curricular da Educação Infantil de Salvador (RCMEI).

Na última roda de conversa do III Seminário, Zilma de Moraes trouxe uma importante reflexão para essas instituições que, agora mais instrumentalizadas, continuam seu processo de transformação: “Os espaços são pedagógicos mesmo sendo vazios. A diferença entre espaço e ambiente é que o primeiro existe por si só. O que precisamos fazer é constituí-lo, por meio das marcas culturais e de identidade que se colocam no espaço, em um ambiente que permita que a criança desenvolva seu potencial, transformando esse ambiente num terceiro educador”, disse.

História

A Avante e a SMED vêm implementando, juntas, ações pela qualificação da Educação Infantil em Salvador e melhoria do atendimento das crianças de zero a seis anos desde 2014, quando a ação atendia ainda pelo nome de PRODEI (Programa de Desenvolvimento da Educação Infantil), semente do Programa Nossa Rede. No primeiro ciclo da parceria foram elaborados, de forma participativa, materiais para crianças, professores, familiares, gestores; feita a revisão do Referencial Curricular da Educação Infantil e desenvolvido o primeiro sistema brasileiro de monitoramento, totalmente online, para esse segmento, além de ações formativas para uso dos mesmos.

Materiais prontos, distribuídos e iniciadas as primeira formações, o primeiro ciclo foi encerrado em 2017 com a certeza de que o caminho para a consolidação das mudanças almejadas estava apenas no começo. Em 2018, as ações formativas foram retomadas. Segundo ciclo encerrado, as instituições, agora, levam consigo um olhar diferenciado sobre as crianças para dar continuidade às formações na Rede Municipal de forma autônoma.