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Educação Integral nas Infâncias: como colocar o sujeito no centro do processo pedagógico

29/11/17 11:36 - Notícias

29 de novembro de 2017

Uma publicação do Centro de Referências em Educação Integral, com o apoio do Instituto C&A, a Educação Integral nas Infâncias traz pressupostos e práticas para o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças de 0 a 12 anos. Elaborada ao longo de dois anos, a versão final do documento teve a contribuição da Maria Thereza Marcilio, presidente da Avante – Educação e Mobilização Social, parceira na luta pelo direito a uma educação de qualidade, que reconhece e valoriza a infância, e agora, integrante do Conselho Deliberativo do projeto Avaliação da Educação Integral do Centro de Referências em Educação Integral.

“O documento é um referencial, que a gente espera, deseja, e quer que funcione como apoio para quem quer fazer Educação Integral. Aquela que coloca o sujeito, no caso a criança ou o adolescente, no centro do processo, na sua totalidade. Independentemente de estar lá um turno ou dois, não é só um aluno que vai à escola, aprender a ler, a escrever, a contar, e saber sobre fatos históricos. É um sujeito integral, que pensa, sente, anda, se mexe, sonha e, portanto, precisa participar de momentos e atividades que contemplem cabeça, tronco, membros e coração, sendo entendido integralmente”, explica Maria Thereza Marcilio.

A publicação discorre sobre a potência da Educação Integral na constituição de uma escola que coloca a infância no centro de seu Projeto Político Pedagógico, a despeito da etapa escolar a que se refere. A aposta é a de que a Educação Integral traz um potencial de transformação da escola como um todo, ao reconhecer as crianças não como seres imaturos, definidos por aquilo que não sabem, mas como sujeitos sociais, produtores de cultura, e em plano de igualdade com outros grupos geracionais, como aponta o próprio texto.

Como surgiu

Há cerca de dois anos, o Centro de Referências em Educação Integral reuniu especialistas para discutir em que medida a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) respondia à concepção de educação integral ligada à capacidade de garantir o desenvolvimento pleno dos estudantes, atendidos nas suas múltiplas dimensões formativas. Isto é, não apenas em sua dimensão intelectual, mas também nos seus aspectos físico, emocional, social e cultural.

À época, Maria Thereza participou das discussões sobre Educação Infantil, e posteriormente, de um grupo formado por Levindo Diniz, professor da UFMG, Vital Didonet, assessor legislativo da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI), e Rita Coelho, que coordenou a Educação Infantil no MEC nos últimos sete anos e é membro do Movimento Interfóruns da Educação Infantil do Brasil (MIEIB), convocado para elaborar um documento que servisse para ajudar na transição entre Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Conforme se avançou no diálogo, o grupo pensou em fazer um documento mais amplo, de educação integral para as infâncias, acolhendo o conceito que se tem de infância no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), adotado pelo Brasil (o período de 0 a 12 anos), indo para além de um documento voltado apenas para a Educação Infantil e a transição para o fundamental. Daí surgiu a “Educação Integral nas Infâncias”.