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Avante acompanha audiência pública sobre Economia Solidária

18/12/19 12:28 - Notícias

18 de dezembro de 2019

Cooperação, igualdade, autonomia e desenvolvimento. Estas quatro palavras nos trazem elementos fundamentais para entender a Economia Solidária (ECOSOL), estratégia socioeconômica de desenvolvimento local, regional e territorial, considerada extremamente importante pela Avante – Educação e Mobilização Social. Por isso, a organização esteve presente na audiência pública Estratégias para desenvolver a economia solidária, realizada de 09h às 17h, na segunda-feira (09), na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, no CAB, em Salvador.

O evento teve como objetivo debater a proposta de emenda à Constituição (PEC 69/2019), com pretensão de incluir a Economia Solidária entre os princípios da ordem econômica brasileira. O Plenário do Senado Federal aprovou na quarta-feira (11/11) o Projeto de Lei da Câmara (PLC 137/2017), que cria a Política Nacional de Economia Solidária (PNES) e o Sistema Nacional de Economia Solidária (SINAES), além de regulamentar empreendimentos desse tipo.

“A economia solidária é um legado para a humidade, garantindo trabalho para as pessoas, independentemente de sua classe social, cor, crença religiosa e situação de vulnerabilidade”, destaca Carol Duarte, psicóloga, consultora associada da Avante e coordenadora de projetos nessa temática. Segundo a psicóloga, a Economia Solidária é uma forma de trabalho colaborativo, focado na solidariedade, nos saberes de cada um, na democracia, na cogestão e auto gestão. “Acho que o debate sobre este ponto é importante, porque vivemos em um movimento de desemprego e precarização do trabalho e do trabalhador. A ECOSOL nos traz um outro olhar para as relações de trabalho e forma de produzir”.

Esteve presente no evento, na mesa Estratégias da Política de Economia Solidária com Base na Equidade, Gabriel Kraychete, economista, colaborador da INCUBA, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e parceiro antigo da Avante em diversos projetos envolvendo a temática, como o É Dia de Feira Solidária, realizado pela Avante entre os anos de 2013 e 2015, na Feira de São Joaquim, dentre outros, realizados em outros territórios, como a comunidade do Calabar e terreiros de candomblé. O evento contou com participação de muitas referências no campo, como Lourdes Maria Stadudt Dill, da Cáritas Brasileira.

“Todo mundo sabe, todo mundo vê o quanto esse planeta está sendo ameaçado pelo auto consumismo, pelo capitalismo e concentração na mão de poucos (…) a gente precisa resistir e ter coragem”, refletiu Lourdes sobre o cenário atual da sociedade e como o trabalho com a Economia Solidária pode ser uma alternativa para a mudança. E completou: “uma coisa é produzir, outra é comercializar e sobreviver dessa renda”, levantou a reflexão sobre os desafios ainda existentes.

ECOSOL na AVANTE

A Avante – Educação e Mobilização Social atua, desde 1996, como uma associação. Ao longo desse tempo, passo a passo, a instituição construiu uma gestão compartilhada e aprendeu, por meio da reflexão da própria prática, os caminhos para o fomento e fortalecimento de empreendimentos associativos solidários. Até que, em 2006, por meio do projeto Grãos: cultivando em parceria para colher autonomia, surge a primeira oportunidade para o empoderamento de cidadãos, em especial as mulheres, para atuar no mundo do trabalho a partir de valores como cooperação, igualdade, liberdade e autonomia.

Grãos (2006 a 2011) semeou a Economia Solidária nas comunidades do Calabar, Alto das Pombas e Roça da Sabina, em Salvador. O Florescerfortalecendo mulheres para o desenvolvimento local (2012 – 2014) fortaleceu os grupos criados e agregou novos à proposta. O É Dia de Feira Solidária (2013 – 2015) criou a primeira cooperativa de alimentos dentro de uma das maiores feiras livres da América Latina. O IPA – A Força Empreendedora das Mulheres (2015 – 2017) reúne mulheres costureiras oriundas de terreiros de candomblé e forma grupo produtivo de costura. Em geral, os grupos produtivos também acolhem o público masculino, mas as mulheres são, de longe, a maioria.